Na manhã desta quarta-feira, 19/12/18, a Arquidiocese de Olinda e Recife vivenciou um momento que promete entrar para a história da Igreja de Olinda e Recife. Aconteceu na Cúria Metropolitana, bairro das Graças, Recife, a sessão de encerramento do Processo de Beatificação e Canonização de dom Helder Camara. A sessão foi presidida pelo Arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido e foi acompanhada pelo vice-postulador da causa, o frei Jociel Gomes e comissão de investigação, formada pelo frei Francisco Fernando, Irmã Maria Vanda de Araújo e pelo juiz delegado, Monsenhor João Acioli. A solenidade foi aberta ao público e à Imprensa e contou com a presença de amigos, leigos, seguidores, religiosos, movimentos, IDHeC (Instituto Dom Helder Camara) e membros do clero que tiveram em dom Helder um profeta inspirador, uma força para seguir sua jornada.

A sessão de encerramento do processo de canonização incluiu a aposição da assinatura do arcebispo na ata da sessão de encerramento do processo, o lacre das caixas de documentos e a remessa da documentação comprobatória do processo ao Vaticano. Com isto, foi concluída a chamada “fase diocesana” do processo de beatificação e de canonização e a documentação será remetida para a Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano, onde os documentos comprobatórios, laudos, pareceres e testemunhos coletados são analisados por comissões, para ter início a chamada “fase romana” do processo.

Processo contém mais de 1.200 páginas

Dom Helder Camara faleceu em 1999 e atuou como arcebispo de Olinda e Recife no período de 1964 a 1985. Figura de grande importância para a igreja católica brasileira e mundial, dom Helder foi um dos criadores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), denunciou diversos casos de violação de direitos humanos durante o regime militar no Brasil, articulou a criação da Sudene e foi indicado ao prêmio Nobel da Paz, e organizou mais de quinhentas comunidades eclesiais de base, fortalecendo a atuação social da Igreja junto aos mais pobres.  O arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido, expressou toda a sua alegria com a conclusão da fase diocesana do processo, salientando que é necessário que as pessoas rezem a oração pela Beatificação e Canonização do Servo de Deus, dom Helder.  O metropolita destacou que a Igreja vive um momento histórico, com este pequeno passo que se iniciou em 2015, quando do início do processo. O vice-postulador da causa, frei Jociel Gomes explicou aos presentes os próximos passos do processo de beatificação na chamada “fase romana”, no Vaticano. Após o frei Jociel e a irmã Vanda lacrarem as caixas com a documentação do processo, diante de todo o público presente, espontaneamente os fiéis entoaram o cântico carnavalesco “Madeiras do Rosarinho”, fazendo ecoar pelo ambiente uma atmosfera de alegre esperança no resultado positivo pela canonização daquele que era conhecido como “Dom da Paz”.

No âmbito da Arquidiocese de Olinda e Recife também tramitam outros dois processos de beatificação: de Dom Vital Correia de Oliveira e de Frei Damião de Bozzano, o profeta das Missões.

Fases de um processo de beatificação e canonização:

São três as etapas pelas quais deve passar o candidato a santo – confirmação das “virtudes heroicas”, beatificação, e canonização -, para as quais se necessita de um milagre comprovado.

MILAGRE RIGOROSO

O milagre é um fato que deve ser instantâneo, perfeito, duradouro e não explicável cientificamente. Geralmente, é a cura de um doente. Precisa ser comprovado por uma junta de médicos do próprio país e, depois, por uma comissão de cerca de cinco médicos do Vaticano.

INÍCIO INFORMAL

Qualquer pessoa (física ou jurídica, como, por exemplo, uma câmara municipal) pode solicitar a abertura do processo ao bispo da paróquia da região em que o candidato a santo morreu. Para cada causa, é escolhido pelo bispo um postulador, que investiga a vida do candidato para conhecer sua fama de santidade. Se tudo der certo, o candidato encerra a fase como servo de Deus.

INVESTIGAÇÃO DAS VIRTUDES

O bispo local dá entrada com seu dossiê na Sagrada Congregação pelas Causas dos Santos, no Vaticano. E começa a investigação das virtudes. O objetivo é passar ileso pela análise de comportamento durante a vida. Se o candidato foi exemplar, é declarado venerável. No caso de martírio (morrer por causa da fé), a morte é analisada para comprová-lo.

EXIGÊNCIA DE UM MILAGRE

Para seguir o processo de beatificação e canonização, a Sagrada Congregação pelas Causas dos Santos exige que o candidato a santo tenha operado um milagre e que este seja provado. Uma investigação é aberta no local onde o milagre ocorreu e os resultados são enviados à Roma para comprovação. Em caso de confirmação, o milagreiro passa então a beato e pode ser cultuado na região em que já tem fama de santo. Mártires, por sua vez, são dispensados desta fase e seguem de forma praticamente automática para a canonização.

À ESPERA DE (MAIS) UM MILAGRE

Na última fase, é preciso provar outro milagre. “Ele tem que ser a resposta de uma oração feita por um fiel ao candidato morto e não uma ação em vida”, explica Rodrigo Franklin de Sousa, coordenador de ciências da religião da Universidade Mackenzie (SP). Vencida a etapa, o santo é apresentado pelo papa para o culto da Igreja mundial. É necessário confirmar inclusive a real existência do candidato a santo. Para isso, uma exumação do corpo é solicitada.

– Em 22/11/18, o Instituto Dom Helder Camara (IdHeC), em parceria com a Prefeitura do Recife, com a Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) e com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) lançou o acervo digital de dom Helder Camara, disponibilizando ao público cartas, manuscritos, crônicas, discursos, fotos e hemeroteca do arcebispo. Conheça parte do acervo documental de dom Helder Camara acessando o link abaixo:

http://www.acervocepe.com.br/acervo/idhec—instituto-dom-helder-camara

– Algumas frases atribuídas ao dom da Paz, dom Helder Camara:

“Olhei o mais que pude os rostos
dos pobres, gastos pela fome,
esmagados pelas humilhações,
e neles descobri teu rosto,
Cristo Ressuscitado!”

“Ótimo que a tua mão ajude o voo…
Mas que ela jamais se atreva a tomar o lugar das asas…”

“É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”.

“Feliz de quem entende que é preciso mudar muito pra ser sempre o mesmo”.

“Um dos meus anseios de chegar ao infinito é a esperança de que, ao menos lá, as paralelas se encontrem”.

“Se discordas de mim, tu me enriqueces”.

“Deus nos ensinou a não aceitar facilidades, mas a encontrar vida na dureza da cruz”.

“O segredo da eterna juventude é ter uma causa a que dedicar a vida”.

“As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros. Levo-as no coração.”

“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista”.

“Quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes”.

“Sempre que procura defender os sem-vez e sem-voz, a Igreja é acusada de fazer política”.

“Não me dou a penitências. Com todo respeito que me merecem os santos, não sou homem de autoflagelações… Não há penitência melhor do que aquela que Deus coloca em nosso caminho”.

“Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver”.

“A melhor maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar”.

“Há criaturas como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura”. (Dom Helder Camara)

(Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife/Brasil)

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