Com o passar dos dias fica cada vez mais claro que a passagem do ciclone Idai em Moçambique, Zimbabwe e Malawi teve os efeitos de um massacre.

O número de mortos nos três países africanos ainda não é definitivo; no momento está próximo a 800, dos quais mais da metade em Moçambique. A preocupação agora é o risco de propagação da cólera, cujos primeiros casos já foram registrados.

Moçambique confirma 271 casos de cólera depois da passagem do ciclone Idai
Moçambique confirma 271 casos de cólera depois da passagem do ciclone Idai

O padre Luiz Gonzaga Piccoli, salesiano brasileiro e conselheiro da Visitadoria de Moçambique, visitou recentemente as províncias do centro e norte do país. Por meio do Facebook, ele procurou tanquilizar seus amigos no Brasil a respeito da sua condição, mas também contou a trágica realidade que presenciou: “A minha província foi a primeira a ser atingida (já alguns dias antes do ciclone, N. do E) com a quebra das barragens, as chuvas fortes por uma vasta região e pelo transbordamento dos rios”.

“O pior veio dez dias depois, com a chegada do ciclone, que já vinha sendo anunciado há muito tempo nas rádios e emissoras de TV, que arrasou a província de Sofala e a sua capital, Beira. Nada foi poupado: hospitais, escolas, a catedral, as grandes igrejas, a casa episcopal, o centro governamental, as universidades, os edifícios públicos, as redes hídricas e elétricas, as estradas, as pontes, as casas… Beira precisará ser completamente reconstruída!”.

Moçambique, registra uma morte por cólera após ciclone
Moçambique, registra uma morte por cólera após ciclone

E pensar que esta cidade de Moçambique, de 500 mil habitantes, havia construído um sistema de canais que deveriam servir para se proteger dos efeitos das mudanças climáticas, por meio de um projeto financiado pelo Banco Mundial: o sistema funcionou contra as inundações de dois meses atrás, mas não suportou a fúria de Idai. “Este ciclone eliminou tudo o que levou mais de 100 anos para ser construído”, comentou com tristeza o prefeito Daviz Simango, que também é engenheiro.

A condição dos menores também é preocupante; muitos ficaram órfãos devido à morte de seus pais ou porque acabaram separados de suas famílias enquanto buscavam abrigo. Segundo a UNICEF, mais da metade das pessoas afetadas pelo ciclone são menores: em um milhão e oitocentas mil pessoas atingidas pelo Idai, um milhão são crianças; estes ainda são números provisórios, uma vez ainda há distritos inteiros ainda submersos pela água.

“Eu e minha comunidade – conclui o padre Piccoli – não sobrevivemos, simplesmente fomos poupados. Que Deus nos ajude a continuar auxiliando a população devastada, tanto quanto pudermos”.

Fonte: ANS – Agenzia Info Salesiana

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